Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2010

Natal de papel

Que tal?
Assim...
Natal!
Em mim!

É Festa!
Amor!
Sou, nesta,
Escritor!

Rabiscos,
Esperanças,
Petiscos,
Crianças.

Bate, sino!
Acorda, Noel.
Presente, menino
De papel.

É cedo!
É tarde!
Sem medo!
Alarde!

Perdão.
Alegria.
Canção.
Poesia.

E em nervo
Total,
Escrevo
O Natal!

Diga Não

Diga não,
se não me quer.
Diga não!
Mas não me deixe,
na ilusão, a te querer.
Na solidão,
a te esperar no amanhecer.

Diga não,
ó mulher.
Diga não!
Que eu não me queixe
da paixão que vou perder.
Nesta prisão
que sinto, longe de você.

Prove-me

Não sou o que pensas
Não pense que sou
Não preciso provar-te
E nem a ninguém
Acredite
Pois tudo que terás é minha palavra
E só ela é necessária
Exceto, é claro,
que me queiras provar

Não é culpa minha

Sim, estou.
Não porque quero.
Não quis realmente estar.
Mas não posso controlar.
Estou.
E estarei
Por tanto quanto isto durar!

Junção

Dispo-te
E és minha
Totalmente minha

Beijo-te
E sinto o teu salivar
Que me serve de néctar

Lambo-te
E saboreio o teu suor
Que se mistura com o meu

Cheiro-te
E aprecio muito o teu perfume,
Fazendo-me querer-te mais e mais

Olho-te
E me enxergo em teu lindo olhar
E tua alma e a minha se desejam ardentemente

Toco-te
E passeio em tua longa linda estrada,
Saboreando a sensação que o calor da tua pele me proporciona

E com este ritual
Que nos une, prazerosos,
Nós dois somos um só!

Olhos Negros

Puseste batom nos olhos
E os meus assim te beijam
Tão distante que te cheiro
Com meus olhos no teu breu

Teu olhar me fala sério
Te escuto, sussurrante
Tu me queimas, deslumbrante
Me convidas a te querer

E penetras-me em essência
Com teus olhos cativantes
Tão direta como o sol
Radiante como a lua

É difícil te encarar
Sem sentir a emoção
De fitar teus olhos negros
E, em transe, cobiçar-te

Puseste batom nos olhos
Mas não posso te beijar
Quero tanto o teu olhar
Fecho os olhos. Te imagino!

Ausência de vida

O que fazer da vida se ela não me quer?
Deixar de vivê-la? Deixar de querê-la?
Talvez desistir não seja a solução
Talvez porém não haja solução alguma

Tenho fôlego, mas me falta ar
Tenho sede, mas tem sal no mar
Onde sinto tanta vontade de me atirar
Mas também sinto muito medo de me afogar

Será que esperar é o certo?
Ou deveria portanto viver?
Estou um pouco desanimado
Não sei se consigo mais respirar

Tenho braços, mas nadar me cansa
Estou vazio, mas ainda tenho esperança
Quando viajo por sua lembrança
Mas fico sozinho, pois minha mão não te alcança

A última que dorme

Ainda resta
Um pouco de calor
Um dedo de amor
Em meu pobre coração

Amar não presta
Me causa muita dor
Tamanha e com furor
Me mata, essa paixão

Te amar é festa
Me queimo com fervor
Te exalto com louvor
Me largo em tua mão

Estou em sesta
Mas durmo com pavor
Pois faça-me um favor
Me leve para um caixão

Coraticum

Ausenta-me doses
Que me leve a tal sorrir,
Que me clareie a essência
E que me torne alvo
Para, de claro, o sentir expor,
Confiante estar ao ponto
De repelir tal sofrimento
Que me sufoca, aprisionado,
Para então poder gritar
Sem esta corda no pescoço.

Ao menos umas gotas
Que me fizesse te encarar,
Apreciar-te as lindas meninas,
Confrontar-me a incerteza,
Despir-me assim d'armadura
E te abrir então a guarda
Para mostrar-me realmente,
Sem personas, nem figuras.
Tu verias meus desejos,
Saberias dos meus medos.

Oh, líquido reluzente,
Mata-me a sede agora.
Livrar-me-ia então desta dor,
Gritaria então aos quatro ventos
Que assim eu seria tão feliz.
Demorara, mas sentira
Que, de um gole, a dor passara
E agora a voz saíra
E, sem chances de voltar,
A coragem fez-se viva!

Querido querer

Queria poder te dizer
O quanto eu queria poder te dizer
Que meu coração pulsa forte ao te ver
Que o teu sorriso me faz esquecer
Todos meus problemas... todos meus problemas...

Queria ficar com você
Ah, como eu queria ficar com você
Olhar nos teus olhos, desaparecer
Beijar tua boca, sentir teu querer
Sozinhos apenas... Sozinhos apenas...

Queria te dar meu viver
Com todas as forças, te dar meu viver
Abraçar-te forte e, em ti, me prender
Entrar nos teus sonhos e te oferecer
Meus nobres poemas... meus nobres poemas...

Querer você

Quero te ter
Não só em texto
Mas no contexto
Do meu querer

Quero te ver
Te dar um beijo
Lamber teu queixo
Te dar prazer

Quero teu ser
Bem do teu jeito
Sobre meu peito
Adormecer

Em meu querer
Em meu pretexto
Saio do eixo
Quero você

Cega-me

Vou-me bloquear a visão
Para então não mais te ver
Não sentir mais o que sinto
Me calar do que hoje minto
Me instigar a te dizer!
Cobre-me os olhos, ó mão!
Não suporto a tensão
De te ter e não te ter
De enganar o meu instinto
De deixá-lo tão extinto
Tão a ponto de perder
Do meu cego coração

Na mesma moeda

Dou-te assim coração
Tanta a emoção
Solidão me devora
Tarda já nesta hora
A ti, me entregar
Meu olhar, meu olhar
Meu querer precioso
E um beijo gostoso
Que, em minha memória,
Mais valia que a glória
De então desejar
Teu presente presente
Ardiloso e ardente
Que me tarda a chegar
Esperar, esperar
Esconder-me em copas
Só porque não me topas
Nem me aceitas no jogo
Joga os dados no fogo
Vem, me tomas em queda
Pago em mesma moeda

Irradiando você

Meu corpo está quente
Estou delirando
Na tua presença
Na minha ausência
Em teu existir
Estou viajando...

Confusões em mente
Eu te respirando
Em minha doença
Minha paciência
Quero persistir
Mas vou me entregando...

Aquecido, finalmente
Meu ser esquentando
Eis minha sentença:
Em minha aparência
Com o teu sentir
Vou te irradiando...

Domínio de mim

Parece que você
Olha assim tão diferente,
Sem ao menos perceber
Sombras minhas no poente,
Um sorriso ao te ver,
Íris brilham de contente.
Dominado por teu ser,
O meu eu te faz presente

Lágrimas de desejo

No meu rosto escorre
Uma gota de desejo
Por querer tanto teu beijo
E não poder te provar

O teu gosto dorme
No fundo do meu bocejo
Cada vez que aqui te vejo
E fico a te admirar

O meu pulso corre
Como raios num lampejo
Demonstrando meu fraquejo
Por teu belo provocar

O meu tempo morre
E deságuo em teu cortejo
Mesmo em lágrimas, velejo
Re-sonhando te encontrar

Maldito olhar

Teu olhar me conquista
Teu olhar me incita
Ao teu ser desejar

Teu olhar me excita
Teu olhar me levita
Faz querer me te amar

Teu olhar me agita
Teu olhar me evita
Me deixando no ar

Meu olhar te visita
Meu olhar te orbita
Fico a te admirar

Meu olhar te - sim - fita
Meu olhar te - sim - grita
Eu me pego a sonhar

Meu olhar te recita
Meu olhar te invita
Minha história a grafar

Meu olhar, minha escrita
Faz-te achar mais bonita
Teu olhar faz maldita
Faz-me assim parasita
Mata-me e ressuscita
Pra me assim escravizar

Sem testes

Não me queiras provar
Não me tentes mostrar
O que sou para ti
O que és para mim

Não quero provações
Não quero tentações
Para dizer quem eu sou
Saibas que isso eu já sei

Se queres me conhecer
Há respostas às perguntas
Basta expressá-las
Basta emiti-las

Não sou bom com testes
Não sou bom com provas
Mas tenho respostas suficientes
Caso queiras me perguntar

Anseios

Pulsa-me core
Toque de pele
Inala-me vapores
Instiga-me quereres

Sinto calores
Sinto tremores
Tenho desejos
Tenho vontades

Quero carícias
Quero delícias
Quero apertar-te
Sonho te amar

Coça-me a boca
Arde-me a língua
Frios na espinha
Voltas ventrais

Sem mais suportar
Sem mais agüentar
Anseio você
Anseio te ter

Encovanecer

Hoje, eu quero morrer
Não posso viver
Com meus pensamentos

Hoje, preciso dizer
Que vou me esquecer
Dos nossos momentos

Hoje, não quero saber
O que pode ser
Os seus fingimentos

Hoje, pensar em você
Faz-me enaltecer
Os meus sofrimentos

Hoje, eu vou me esconder
Não quero mais ver
Os meus batimentos

Hoje, eu quero descer
Poder renascer
Noutros elementos

Anjo Noturno

Vela da noite
Clareia minha morte
Me leva contigo
Me dá teu abrigo
Abraça-me forte
Me sangra ao açoite

Luz de farol
Me mostra o caminho
Do teu lar escuro
Derruba este muro
E faz teu vizinho
Olhar pro teu sol

Estrela de turno
Me busca agora
Não posso esperar
Poder te encontrar
Não vejo a hora
Meu anjo noturno

Transluzente beleza

Pedra preciosa
Ó quão tu és valiosa
Tão brilhante quanto o sol
Um olhar tão cristalino
Voz, suave violino
És macia quão lençol

Tesouro perdido
Faz-me assim ser tão bandido
Formosura encantadora
Vênus chora tua beleza
Rouba das pétalas, pureza
Sentir-se pois amadora

Suave e serena
Faz valer, a vida, à pena
Põe desejo em teu altar
Eu te quero só pra mim
Meu destino é assim
Vem. Me deixa te amar

A mais cara

Disfarço meus sentimentos
Meu rosto, meu jeito
Meu sorriso, meu olhar
Para não te perder

Me escondo em pensamentos
Meu posto... desfeito
Preciso... te amar
Mas vou me esconder

Nego então os momentos
Teu gosto, meu peito
Indeciso... sonhar
Quererei te viver

Lembranças de uma amizade IV

Onde você se esconde?
Preciso de seus conselhos
Tenho ver-te nos espelhos
Mas você não me responde

Mostra-te então para mim
Não sei mais o que fazer
Eu preciso te dizer
Que de ti preciso enfim

Meu reflexo é só você
Mas sozinho isto não basta
Minha mente assim tão vasta
Não consigo mais te ver

Barco solto em grande cais
Sou assim, mas eu não quero
Pensativo, te espero
Imagino-te uma vez mais

Enxurrada vazia

Olho o mundo lá fora
Olho fora do mundo
Meu mundo fica tão curto
Meus olhos tentam viver

Sinto o vazio em minh'alma
Sinto a esperança voar
Estou extinguindo meu ser
Estou dissolvendo meu eu

Tento estar respirando
Tento dançar nesta música
Fujo minha fuga apressada
Morro minha morte, vazio

Inundo meu ser solitário
Em minha janela distante
Fico a olhar o teu mundo
Fico no meu a sonhar.

Sem motivos

Minha face não contrai
Minha boca não estica
O meu brilho escureceu
Meu sorriso se apagou

O palhaço tá de férias
Tua pena desfiou
Nosso gás foi misturado
Com alguma anestesia

Durmo agora seriamente
Mas ainda sinto dor
Que me corta o coração
Eu não sinto meus sentidos

Finjo então estar feliz
Mostro os dentes amarelos
Olho contra a luz do sol
Esperando ter motivos

Delírio ardente

Cegueira intensa
Me toma, doença
Sintoma: presença
Quero te amar

À beira, sentença
A soma. A crença
Me ama, compensa
O meu belo olhar

Fileira, licença
Retoma. Imprensa
Meu coma dispensa
O teu disputar

Bobeira propensa
Me doma. Não pensa
Com goma, me prensa
Me faz devagar

Fogueira tão tensa
Cama, recompensa
Dama, me pertença
Por te desejar

Dançando desejos

Não quero mais me afastar dos teus braços
Deixar teus abraços se desprenderem de mim
Ao teu corpo apertar, damos vários amassos
No salão, nossos passos ultrapassam o fim
Meu nariz no teu cheiro, tua boca lambida,
Minha boca ferida ao em ti encostar
Faz-me então suspirar e fitar-te os traços
E se abrem os espaços pra dançarmos enfim.

Eu e você, sós! Para mim, não há mais ninguém no salão
Ouço o som da tua voz por entre as batidas do meu coração
Teu pescoço reage ao meu forte inalar
Teu suspiro me invade junto ao teu balançar
Me perco, tentando alcançar teu sentir
Teu agir faz do beijo um desejo gostoso
E meu jeito dengoso tenta te invadir
Vai driblando teu giro, apertando teu osso,
Minha dama, teu moço está entregue a paixão

Sintomas de Cor

Contrai, Aperta
Pensando em você
O ar me falta
Para bombear

Acelera bastante
E pára, assim
Uma mão esmagante
A meu peito apertar

Um vazio alimento
Corrói-me por dentro
Afeta o sistema
Faz meu corpo parar

Teu sorriso, meus olhos
Tua voz, audição
Minhas juntas tiritam
Não consigo pensar

Dilacera-me então
Dolorosa paixão
Mata meu coração
Por querer te amar

Sentidos de verdade

Na verdade, na verdade
Tudo que se vê é podre
Tudo que se fala é lama
Tudo que se ouve é lixo
A verdade é a utopia
Da esperança de estar certo

Ver, ouvir, falar
Cada qual faz de um jeito
Pontos de vistas
Verdades relativas
Mentiras relativas
Dentro da visão alheia

Podre, lama, lixo
Olho, ouvido, boca
Distanciam-nos da verdade
Instrumentos do erro humano
A verdade está oculta
Somos cegos, surdos, mudos

O Poeta das Pedras

Do barro, faço canção
Da pedra, faço poesia
Mas não posso tirar a dor
Que sinto por não poder gritar

Ninguém em minha visão
Que outrora dicernia
Falo às rochas meu amor
Faço, aos montes, escutar

Minha boca, minha mão
Idioma, fantasia
Chão de seixos, crio flor
Tente então me decifrar

Ó rochosa multidão
A quem verso todo dia
Segue-me aonde for
Para não sozinho estar

Desenganado

Querias tu matar
O amor que sinto
O olhar que olho
A esperança que tenho

Corta-me então a cabeça
Para não mais pensar
Para abafar meu desejo
Para reprimir meu querer

Estava iludido
Estava enganado
Não quero sonhar
Nem mais te viver

Mudara meus traços, minha face
Pusera-me de joelhos aos seus pés
Levanta-me e liberta-me agora
Pois quero morrer longe daqui

Fuga de cristal

Fujo do meu destino
Para tentar ter o controle de minha vida
Recuso-me ser feliz
E faço de companheira a solidão
Cubro-me de feiuras
Pois não quero ser igual aos outros
Não quero ser tão certo
Proíbo-me viver o fantástico
Afasto o amor sincero
E me escondo dos raios de sol
Crio uma grande depressão
E me enterro, negando a vida que me escolheram.
Pois é o fim
E, no fim, tudo acaba

Remédio do Tempo

Não mais consigo de ti parar de pensar
Não mais consigo ficar a te imaginar
Em outros braços que não os meus
Perder-te de vista, com um adeus
Sinto-me agora com maus sentimentos
Por tanto querer-te em meus pensamentos
E só para mim, desejo-te tanto
Mas outros existem para teu encanto

Quero parar de te sentir
Quero poder te perder
Quero parar de me iludir
Quero não mais te querer

Se então te encaixas ao teu complemento
E isto é recíproco para meu tormento
Arranco do peito o meu coração
Pois, só deste jeito, volver-me-ei são
Ainda que agora, insano esteja
Pra dor é o tempo melhor que lhe seja
A cura me tarda, mas sei que virá
Tirar-te de mim é o que o tempo fará.

Pedra-destino

Apedrejarei o meu destino
Sempre que longe estiver
Dos teus rochosos abraços
E do teu precioso olhar

Já não mais sou tão menino
Pra não ver-te tão mulher
Contarei todos teus passos
Teu caminho, irei traçar

Caminhante, imagino
Se tu floras, bem-me-quer
E me floro em pedaços
Resta meu "te desejar"

Apedrejo, pequenino
O meu disfarçado ser
Apagando os meus traços
Sou-me eu no teu estar

Preço-te ó ser divino
Aprimora-te teu ver
Faz-me corda no teu laço
Une-nos no teu amar

Preso em teu olhar

Um olhar não se repete
Mesmo que este demore
Eles nunca são iguais
Nunca são do mesmo jeito

Guardo a saudade no peito
De um olhar que não vem mais
Essa dor faz que eu implore
A lembranças me remete

Teu olhar, em mim, compete
Faz com que eu te namore
E com desejos demais
Meu destino, já aceito

Dou-te todo meu respeito
E com ele, tu te vais
E apesar que em mim more
Meu olhar não mais reflete

Sem Competição

Não sou bom competidor.
Não entro em uma para perder!
Fico de fora, com minha dor,
Tentando entender o porquê,
De não estar ali lutando,
Batalhando para vencer.
Fico olhando... desejando...
Agoniado, a torcer
Para que ninguém te ganhe
E eu possa ter você!

Ilusões de ti

Sempre pensando em ti estou
Sempre sonhando acordado, vou
Freqüentemente, crio fantasias
E, desejando-te, crio poesias

Posso enxergar tua face
Posso sentir o teu cheiro
Sonhar com o nosso enlace
Chorando, no meu travesseiro

Assim, o amor me deixa doente
E vivo você aqui em minha mente
A minha cabeça emana emoções
Mostrando-me aos olhos belas ilusões

Sinto o gosto do teu paladar
O calor que teu corpo libera me queima
Meu pulso pulsa ao te tocar
Meu choro lava, laquaceima

Viverás, amor, sempre em meus sentidos
Pois fui alvejado por vários cupidos
Agora, és dona do meu coração
És tu quem mandas em minha paixão

Indeciso

Pare com isso. Agora!
Mas, por que?
Porque você está sofrendo.
Não consigo!
Consegue sim. Tente!
Não sei se quero!
Você quer!
Quero querer!
Queira!
Não consigo!
Então desista!
Não quero! Não posso!
Você precisa se decidir!
Eu sei... eu sei...

Longa Jornada

Quem se arriscará iniciando a longa jornada?
Os caminhos são desconhecidos e estáticos fazem-nos ser.
Pedras são a menor preocupação para um viajante desinformado.
E uma bússola será preciso durante o percurso.
Quem, senão ela, me dirá a direção?
Posso apelar aos céus que me digam aonde ir.
Sol, Lua, Estrelas... podem apontar-me o caminho.
Mas, ainda assim, posso dar um passo em falso.
Meus passos são verdadeiros. Sejam eles quais forem.
Vontade tenho eu de pisar.
Mas a estrada pode não me querer como viajante.

Melodia amor

Te tocar!
E acordar uma canção!
Te dedilhar o coração!
Pra nunca mais pestanejar!

Harmonizar!
No balanço do seu tempo!
Cada passo, um momento!
Sem ruído, te cantar!

Em teu seio, ouço o som.
Uma nota, sempre à frente,
Palpitando, noite e dia.

Nosso beijo, num só tom.
E, num ritmo bem quente,
Se compõe a melodia.

Brisa Leve

Estavas parada em cima de mim
Tangi-te para longe daqui
Hoje, sinto-me só
Tuas asas em minhas pétalas acalmavam-me
Espero hoje tua volta.
Pois, sem ti, já não mais posso dormir
A esperar-te fico aqui
Sonhando com o que deixei
Pois outrora não te desejei
E assim, deixei-te partir

Pureza

Amar e ir amando
Sentimento puro e cheio de pureza
De repleta beleza é o amor
Sonhar e amar
O amor está em cada um de nós
Basta-nos transmiti-lo ao próximo

Um brilho no olhar
Uma criança nasceu
Vida nova aos seres vivos
Hoje um sorriso me fez feliz
Um simples gesto mudou-me a vida
Poucas montanhas conseguem ser movidas
Mas, quando se movem, não fazem isto sozinhas
Hoje nasceu uma criança
Com cara de vida nova
Para dar esperanças ao povo da Terra.

Ambiente, meio de viver

Meu mundo. Minha casa.
Limpo. Varro. Jogo o lixo fora.
Cuido para que esteja bonita.
Não deixo que a destruam.
Preservo-a, pois é o lugar onde moro.

Cada canto é meu canto.
Vivemos todos neste meio.
E qual será o meio de vivermos nele?
É necessário ter consciência de que este é o nosso lar.
Temos que escrever novos mandamentos: Não poluir. Não desperdiçar.
O mundo nosso é. E dos nossos, também será.

Despedidas

Aos conhecidos,
adeus.

Aos chegados,
tchau.

Aos colegas,
até logo.

Aos amigos,
sentirei saudades.

Aos amores,
levar-los-ei em meu coração.

Cesta

Dormi dentro de um cesto
Ronquei durante um dia inteiro
Acordei numa sexta-feira
Decidi ir embora para Feira
Pela sexta vez, dormi

Joguei a bola na cesta
Voltei a tirar uma sesta
Segunda foi dia seis
Segunda semana do mês
Não estou mais aqui.

Sou o sexto cesto em sesta dentro da cesta

Eu Poeta

Gosto de escrever poesias.
Nelas eu posso contar
Tudo que sinto, que vejo
Sem ninguém me recriminar.

Escrevo o que sinto na hora.
Mesmo entrando em conflito
Com o meu eu não-poeta.
Mesmo estando aflito.

Nas poesias, crio mundos
Onde controlo o que rabisco.
Tudo o que preciso são de palavras
Que escapem sem nenhum risco.

Um dia mostro meu Eu Poeta
E o mundo aplaudir-me-á.
Enquanto isso, rabisco
Prá o meu sentir liberar.

Ser caderno

Ser caderno não é bom
Porque vivem me riscando,
Rasgando parte de mim.
E ninguém vem me amando.

Eu chego das escolas
E me jogam nas estantes
Mas tem gente que em mim
Guarda coisas importantes

Em mim, escrevem segredos
Que eu não posso contar
Mas, quando me jogam fora,
Eu me rasgo de chorar.

Mas tem vezes que eu gosto.
Acho que é bom ser caderno
Pois milhões de estudantes
Têm por mim amor eterno

Ser grato

O que é ser grato?
Sentir-se por si obrigado!
Não tem importância o porquê.
Todos temos que agradecer.

Se alguém te faz um bem,
Devemos portanto ser gratos.
Com uma que vale por cem.
A palavra obrigado.

Gratidão não se explica.
Agradecer é sorrir.
Faça o bem para alguém
Que esta palavra deverás ouvir.

Sempre agradeçam por tudo.
Agradeçam sempre aos seus.
Mas jamais se esqueça
De ser grato ao nosso Deus.

Por si só

Na minha mente,
Você fica diferente
Do que realmente é.
Jeito de menina.
Mente de mulher.
Olhar que fascina,
Que sabe o que quer.

Palavras que escuto
Das tuas palavras
E deixam-me mudo,
Me mostram um mundo
Um tanto imundo.
Me pôem de luto.
Me jogam às traças.

Suponho você.
Mas não me supôe.
Conheces a ti.
Enganas a mim.
Modelas teu ser
E tapas meu ver.
No seu iludir,
Imagens me pôe.

Já és grande, minha pequena.
Idéias maduras. Face serena.
Agora te vejo de olhos abertos.
Outrora, ingênuos. Agora, espertos.
Em minha cabeça, desata-se um nó.
Não és por ninguém. Tu és por si só.

Estou dentro de ti

Cabeça no colo

Falo-te muito

Sinto o pulsar do teu coração

Ligado no umbigo

Dá-me teu seio

Ouço teu som ardente

Temos forte ligação

Rubras nádegas

Tenho saudades
De uma terra longínqua
Que, em festa junina,
Passeara por lá

Tenho vontades
De tão belas meninas
De sair da rotina
De poder viajar

Pedras no chão
A cidade enrubescida
Tuas subidas e decidas
Caminhei ao alvorar

É São João
Sonolência ensurdecida
Já ganhei mais sete vidas
Volto tarde a descansar

Boca rachada
Por suave aspereza
Carne assada, farta mesa
Numa roda a prosear

Perna inchada
Abalada por baileza
Rodeada por beleza
Tenta se recuperar

Mudança de face

Desfigurado,
Espero os candidatos eleitos.
Doadores anônimos e cheios de graça.
É tão difícil decidir dentre bermudas, ternos e gravatas.
O quê de quem eu quero?
Medos e influências agem sobre mim.
E assim, monto o meu mosaico.
Jogo de quebrar a cabeça.
Finalmente, está traçado o meu próprio caminho.
E agora, não tem mais volta.

Escrevendo qualquer coisa

Sem ter o que escrever
Rabisco a folha de papel
Para ter o que fazer.
Não me vem ideia alguma,
Mas o que posso fazer?
Esperar cair do céu?
Comigo, não tem a ver!
Ou é uma, ou nenhuma!

Lembranças de uma amizade III

O que fazes-me em mente
Que imago coisas tantas?
Lembranças vêm tão repente
Que minh'alma tu encantas

Solitário, não me sinto
Mas torno-me confuso
Apesar deste que minto
Sentimentos me induzo

Troco-me com a verdade
Sem saber o que é certo
Logo, fico na saudade

Tu és longe, porém perto
Sede, tu és a vontade
Quando sou-me no deserto

Mesa farta

Sentados na mesa, nos despedimos Do que se passou e aguardamos o que virá. Ansiosos, esperamos. E felizes prometemos mudar o curso do futuro. Em volta da mesa, comemos e bebemos. Partimos nossas vidas e partilhamos. Espumas borbulham em nossos corações, Mostrando que a vida é muito curta, mas, mesmo assim, temos bastante tempo para curtir. Curtimos a vida em volta de mesas e, em cada mesa, temos momentos diferentes. Alegrias e tristezas tão simples e particulares. Mas sempre percebemos que todos são cada um e que cada um, juntos, formamos todos, pois a mesa é grande e nela tem vários lugares. Abrir o coração e dar espaço para o que é bom acontecer é o que devemos fazer. Vamos viver em mesa farta. E abraçar o que virá. Pois esperar podemos, mas agir é o que devemos.

Só pra mim

Quero uma mulher só pra mim
Tê-la do inicio ao fim

Não precisa ser tão bela
Mas fique linda à luz de vela

Não precisa ter nome ou dinheiro
Mas seja minha o tempo inteiro

Não precisa ser dona do lar
Mas que me ame e que deixe-se amar

Quero tanto, mas somente assim
Quero uma mulher só para mim

Entre galhos

Entre galhos
Vou me escondendo
Amadurecendo
Com vergonha estou

Abre espaço para mim
Neste escuro sem fim
Meu tronco emerge
Fruto verde agora sou

Mas, no alto, estarei
Daí, libertar-me-ei
Para, no topo do mundo,
Poder brilhar

Em teu lugar

Te procuro num lugar
Onde você não está
Não te encontro, portanto
Mas não canso de tentar

Imagino o dia
Em que vou te encontrar
Nesta sala vazia
Onde insisto estar

Sempre, a te procurar
Sentado, a te esperar
Parado, a imaginar

Conquista

Vem, me conquista com teu belo ser.
Pois já te vejo linda aqui de cima.
Tua beleza, alegria faz nascer.
Tuas curvas, com fascínio, me aproxima.

Mesmo longe, te habitam, carinhosos.
Encurta-me então o espaço entre ti.
Assim, arranco-te olhares desejosos.
Tua vitória tem um brilho vivo aqui.

Vejo agora tuas belas meninas.
Verdes olhos. Tranquilo viajo em teu interior.
Mesmo trêmulo por teu gélido clima,
Teus momentos, guardarei com muito amor.

O iluminado

Acende uma luz, apaga uma vela.
A vida gira em tordo dela.
Clareia nossa janela
Como o brilho de uma tela
Que, com beleza, apela
Assim como o artista dela
Que apaga uma luz e acende uma vela

Fantasia estelar

Bola de prata,
Que flutua no mar estrelado,
No escuro vazio do espaço
E, tão bela, se mostra pra nós,
Que, à noite, fincamos olhares
E vagamos por todos os mares
À procura do brilho estelar,
Que roubaste com tal cortesia
E puseste como fantasia,
Tu és linda, estrela lunar.

Adeus sol!

Por que insistes em me perseguir?
Estava tão bem até você chegar.
Não gosto quando você aparece
E me deixa num estado
Que só me falta chorar.

Sei que - às vezes - te chamo,
Que preciso de você,
Mas, quando estou contigo,
Fico triste, pois,
Você só me traz angústia.

Quando estás perto de mim,
Penso em bobagens,
Que d'água enchem-me os olhos.
Não gosto de chorar,
Às vezes é bom, mas,
Não gosto.

Por mais que eu tente te fugir,
Você me aparece de surpresa.
Estou tentando..., mas,
És mais forte que eu.
Afasta-te, afasta-te,
Por favor, deixe-me em paz.
Não preciso mais de você.
Não me procure nunca mais,
Pois, não quero mais ficar...
Sozinho.

Vício de viver

Oi, sou viciado.
E hoje é mais um dia que não consigo largá-la.
Sempre toma conta de mim.
Desde muito tempo.
Já nem sei quanto.
Nem mais lembro da primeira vez.
Não consigo parar.
A todo momento,
Em qualquer lugar que eu vá.
Já pensei em suicídio.
Sempre caio em tentação.
Ela me faz tão bem.
Não consigo largá-la.
Por isso, hoje vim comunicar que não mais virei às reuniões.
Decidi continuar com este vício.
Pois, mesmo sendo uma droga,
É a única coisa que tenho.

Sereia

Curvas que me encantam
E que me fazem sentir
Uma forte sensação,
Mas é forte tão
Que só me falta explodir.

Fico logo empolgado
E numa agitação só.
Que mulher é essa
Que passa por mim
E me deixa assim
Com a garganta dando nó?

Tua pele é tão quente
Que parece que me queima.
Quando te toco,
Fico louco.
A cabeça manda
Mas o corpo teima.

E fico querendo te abraçar
E chegar mais perto
Mas espero aqui,
Junto de ti,
Somente esperando
Chegar o momento certo.

Olhando teu corpo
De cima a baixo, me encanto
Com tamanha gostosura.
Meu coração pula,
Pula tanto
Que me espanto.

Encosta teu rosto no meu
E me abraça bem forte.
Assim, posso acreditar
Em tudo que me falar,
Pois sou um cara de sorte.

Luz de barriga

Nada fica depois de uma briga
Que destrói, que corrói.
Mas, somente a semente
Que é deixada na barriga
Nos deixa nus
E nos enche de luz.

Esquece-te as mágoas.
Supera as injúrias.
E espera os enjôos
Que traz o presente
Direto pro futuro

Os dias de fúrias já se passaram.
Abre os olhos e chora.
E mama.
Nos braços, aquecido
Não sinto-me esquecido.
E o choro de felicidade
Que supera e espera
Limpa o passado...
Limpa o passado.

Amor, filho amado.
Amor repartido, coração dilacerado.
Não há lágrimas que não limpe
O que suja e encarde o peito
Pode até ir-se o respeito
Que retorna-nos o iluminado.

Toque de recolher

Trombeta soou.
Já é hora de dormir.
Os fogos vão começar.
Os olhos que se fecham, já se abençoou.
É hora de partir. Não é hora de chorar.

O jogo começa.
Duelo de xadrez.
Não há vencedor.
Tapete vermelho, por onde a noite atravessa.
Onde perde-se a vez. Onde ganha-se a dor.

O luto invade.
Mas a luta não acaba.
Os reis estão de pé.
As luzes acesas em toda a cidade
E o silêncio que vaga dão espaço para a fé.

Estranho presente

Tantos planos e poucas são
Atitudes já me faltam
O futuro que importa
À vida peço presente
Pois presente, não sou
E neste tempo, não estou
Hoje, nunca me conheço
Esperando a esperança
Minha essência que se foi
Volta agora, na lembrança

Cedilhando a vida

Segurei a minha vida
Para ela cedilhar.
Pois, às vezes, sem saída,
Uma solução não há.

Resolvi dar a partida
E assim simplificar
Meus assuntos e a lida
Com os problemas do meu lar.

Ajustando minha escrita
Vou voltando a funcionar,
Segurando minha vida
Para ela cedilhar.

Ingrata!

Não mais me surpreende com teu brilho,
Não mais se veste para mim,
Meus olhos já não mais te buscam,
Tua face já não é mais como antes.
Espelhava-me em teus olhos.
Degustava teu sorriso.
Hoje já não mais te vejo.
Se esconde. Fecha os olhos para mim.
A canção do meu bocejo não te agrada.
Já cegou-me por não ter o que mais ver.
Hoje a vejo mais distante, mais distante.
Me espelha, alucina-me uma vez mais.

Fim de jogo

Faço meus caminhos
Tortuosos, porém meus
Estradas confusas existem
Mas sigo em frente
E viro à direita
Do lugar onde quero estar
Tomo minhas decisões
Que pouco minhas são
Não quero ainda fim de jogo
Pois este mal começou

Tom de voz

Nada como um tom vocal
Que sai de uma linda boca.
Duma, que num local
Consigo fazê-la louca.

Ruim é o tom agressivo
Que acerta dentro do peito
E, que sendo tão massivo,
Nos transporta para o leito.

Tom doce, amargo, azedo
Nos diz o sentimento
Ou nos coloca medo
Que se sente no momento.

Cifrar e decifrar
Sentimento bom ou mal
Não consegue escapar
Do som de um tom vocal.

Voltando à vida

Sobrevivi ao impacto.
Como dizem: Vaso ruim não quebra.
Histórias soaram por longe.
Mentiras são muitas.
Bala no peito.
Coração perfurado.
Sem sangue algum
Saquei de repente
Mas já não era o mesmo.
Ninguém é o mesmo.
Nunca.
Apesar da faca em minhas costas.
Perdoava, eu acho.
Já sou acostumado a morrer.
Morro para isso.
Os olhos dela são lindos.
E me olham no túmulo.
Mas sobrevivi
Em outra morte eu tento acertar.

Somente Explicações

O vento bate no meu rosto,
Estou livre, porém preso
Muita coisa ocorre
Tão depressa que nem sei
Fico pensando
Quieto no meu canto
Fingindo viver
Acreditar
Isto é fundamental.
Mas não basta
Explicações
Somente explicações.

Sei lá

Sou muito feliz.
Quem sou? Sei lá!
Porque tenho amigos.
Por que estou? Sei lá!
Todos que me ajudam quando preciso.
Quem são? Sei lá!
E que sempre têm uma palavra de consolo.
Como? Sei lá!
O que é ser feliz?

Monodesespero

Solidão me aperta o peito
Angústia dentro de mim
Que não procuro dar um jeito
Pra não estar sofrendo assim.

Não faço nada direito
Respondendo sempre sim.
Devo ter algum defeito
Eu não sei pra que eu vim.

Já não tenho respeito
Nem valor, enfim,
Tanto preconceito...

Vou para um jardim
Deitar-me num leito
E esperar o fim.

Luz, dá minha vida!

Numa noite escura,
A escuridão toma conta de mim.
Um brilho num olhar clareia-me de longe.
Bem de longe.
Só um ponto de luz.
No fim de um buraco negro.
Luz, ó luz, clareia-me de perto, que certo disto estou tão certo, que não mais consigo pensar.
Ai de mim se o espaço pudesse curvar, para os dos pontos juntar e perto de ti estar.
Lua, clareia!
Que um dia eu te encontro e me encontro ao encontrar-te.
E verei, e me verei, e todos me verão, pois tua luz tudo é.
Tudo faz-nos ver.
E eu estarei em ti e tu em mim.
Seremos luz, pois iluminado serei.
E tua pureza me fará puro.
E tua beleza me fará belo.
Hoje, pouco consigo te ver
Quase que nada vejo
Só o bocejo de minha boca me faz pensar.
Às vezes o bocejo me faz sonhar.
E sonho que estou acordado e que não te vejo, e que estou sozinho e que a escuridão é plena.
Mas, quando acordo desejo não bocejar, quero-te aqui, mesmo que de lá, mesmo que sem sorrir, mesmo que a chorar...
Enquanto não vens, finjo viver.
Sem luz, sem vida.
A vida é dividida

Verdades e Verdades

Quero dormir
Pra não ver tanta mentira.
Quero fugir
Pra sair da sua mira
Pois assim não me atira
E não posso assistir.

Vivo a pedir
Que um dia o jogo vira.
Não existir
Nem um pouco da sua ira,
Nem um pedaço de tira
Que me possa invadir.

Poder partir
Como um dia já saíra.
E sem mentir
Revelar que o mundo gira
E a verdade que partira
Ninguém pode decidir.

Para se ter sucesso

Cebola, batata, chuchu.
Tomate, pimentão verde.
Abóbora, cenoura e beterraba.
Bater três ovos.
Colocar as verduras e mais:
Agrião, açúcar(um copo),
Sal a gosto.
Farinha de trigo, fermento, leite.
Hortelã, cominho, salsinha.
Milho verde, ervilha.
Não esquecer as castanhas.
Por também água para completar.
Junte tudo numa vasilha untada.
Pega um livro e vai estudar.

Olhos nos olhos

Olho teu olho
Vejo tua alma.
Mentiras, verdades,
Segredos secretos.
Basta um olhar.
Basta molhar
Lágrimas doces
Por ter me espelhado,
Por ter me espalhado
Dentro de ti.
Hoje te vi.
Do jeito que és.
Dentro do olhar
Onde te escondes,
Onde me escondes,
Onde todos nos escondemos.

Sonho à luz de vela

Quero olhar pela janela.
Poder ver o futuro nela.
Andar numa passarela,
Procurando Cinderela
Que me acenda uma vela
Com uma luz que me revela
O futuro da janela,
Pegadas na passarela,
A luz do sorriso dela.
E nunca mais acordar.

Dono da minha terra

Minha terra não tem terra
Pra plantar e pra morar
E o povo luta tanto
Que até morre de tentar.

Minha terra é muito grande
Que de lá, não encontro eu cá.
Só que os donos desta terra
Não sabem compartilhar.

Minha terra não é minha
Nem do povo que aqui está.
Quem é dono desta terra
Vem aqui só visitar.

Vem ver se minha terra
Continua a prosperar,
Conferindo se os lucros
Podem ainda aumentar.

Nosso povo, nossa gente
Ta cansada de agüentar.
Minha terra não é minha,
Mas um dia ela será.

O que o mundo ensina

Tudo é o contrário do que se espera encontrar.
A verdade vive para fortalecer a mentira.
O que aprendi outrora, já esqueço.
Muita coisa mudou desde então.
Vejo a verdade na mentira.
Inocência é uma mulher
Que sabe mentir dizendo a verdade
E que nunca mente.
Hoje aprendo a esquecer.
Ó mundo cruel, por que me torturas?
Já não sei contar.
E, por isso, já perdi as contas.
O jeito é aprender!!!

Flor à vista

Num dia chuvoso, você aparece
E assim, aquece o meu coração.
De minhas lembranças você não esquece
Por isso merece a minha paixão.

Molhada, sorrindo, querendo carona,
Com cara de anjo você se aproxima
O meu coração então se apaixona
Por nunca ter visto tão bela menina.

Aquela voz meiga parou-me a pressa
E ao esperar-te, virei-me pra ti,
Que se aproxima tão logo, depressa,
Pois muito atrasada estava ali.

Descemos escadas debaixo de chuva
Com o meu amigo a nos proteger
Assim como uma mão coberta por luva
Vamos conversando e sem perceber.

Sei bem o seu nome, um favo de mel
E fico feliz por ter te encontrado.
Tu és um presente que veio do céu
E linda caiu aqui do meu lado.

O Rei de Roma

Meu beijo mata.
Corpos pelo chão.
Caiam aos meus pés,
Subam pelo meu corpo
E entrem no meu coração.
Nem raiva nem rancor.
Afasta-te,
Pois meu beijo salva.
Minha coroa sangra
Com o sangue do meu coração.
Onde está quem não me quer?
Pois é esta quem eu quero.
O meu beijo fere,
Porém lava as feridas.
Não te escondas do meu brilho
Que nasce na alvorada.
Vem e beijas o meu beijo.
Meu poder é teu também.
O meu reino é você.
O meu beijo quer te ter.

Sonhos e fantasias

Minha amada,
Onde tu estás?
Tenho sede de teus beijos.
Tenho fome do teu corpo.
Por tuas curvas sonho estar.
Em tua alma sonho entrar.
E em teu coração morar.
Minha amada,
Se estiveres me ouvindo,
Aparece e me beija.
E me deixa desejar-te
Não mais me deixar.
Amada, minha amada,
Sonho-te sonhar comigo,
Tendo seu corpo como abrigo
Prá poder me esquentar,
Aquecer minha paixão,
Me tirar da solidão
E minha vida enfeitar.

Uivando para a Lua

É única em minha terra.
Redonda como uma esfera.
E brilha que nem só.
Me acompanha a noite inteira.
Clareia os meus sonhos
E, às vezes, me faz chorar.
Não há este quem não goste.
Atrai para si o mar.
E o canto noturno dos lobos.
Não me canso de te escrever,
Nem assim posso te descrever.
Tu és o presente do céu,
Prateada lua de mel.

Descrevendo o vazio

Sem nada e com nada.
Nem vento, nem água, nem nada.
Tira tudo o que ficou.
Deixa o vácuo.
Tira o vácuo e fica o nada.
Tira o nada e nada fica.
Não pense e joga dentro.
Isso é quase o vazio.

O presidente do mundo

Faça isto,
Respire isto,
Mexa nisto,
Mas não nisto!
Fique longe disto.
Pode falar agora!
Mas calado.
Estou com dor de cabeça.
E nada de rebeldia.
Sou eu quem manda aqui!
Se esqueceu do que me deves?
Sorria!
Mas sem mostrar os dentes.
Só quem brilha aqui sou eu!
Morra isto!
Viva isto!
Ei, eu ouvi isto!

Calados para sempre

Mais um dia,
Vivendo na hipocrisia,
Fazendo o que não podia,
Só prá ter mais alegria.

Num mundo de fantasia,
A vida se iludia,
Pois tudo o que fazia
A deixava mais vazia.

E os jornais que sempre lia
Contavam o que não se via,
Criando uma moradia
Do jeito que se queria.

Agindo como uma vadia
Que aos poucos se vendia
E bem menos recebia
Pela vida que vivia.

Fazendo o que se pedia,
Os culpados, assistia.
Mesmo estando com azia,
Calado permanecia.

E em toda essa agonia,
Interesses defendia,
Pois gostava da poesia
Do que se oferecia

Várias coisas que sabia,
Enganava, escondia,
Com um pouco de magia,
Criava uma utopia.

E vivendo em covardia
Não falava, não agia.
A vontade me batia
E mesmo assim não conseguia.

No chão

Passei por cima do passeio.
Passos presos ao passado,
Passeava paciente.
Sapato sujo e sem sola.
Sopa de cimento,
Pássaro sem asas,
Amarelo e branco,
Sem azul e sem verde.
Assim sou.
Tropecei e saí.

Contudo, estou feliz

Hoje eu estou feliz.
Feliz por estar vivo.
Vivo de esperanças.
Esperanças de um mundo melhor.
Melhor para as pessoas.
Pessoas que amem as outras.
Outras culturas e raças.
Raças distintas e iguais.
Iguais por sermos irmãos.
Irmãos de pai e de mãe.
Mãe natureza.
Natureza que destruímos.
Destruímos nossa casa.
Casa sem porta e janela.
Janela aberta para o futuro.
Futuro que não temos.
Temos que esperar.
Esperar o que vai acontecer.
Acontecer com todos nós.
Nós que somos os culpados.
Culpados por tudo.
Tudo de errado.
Errado porque queremos.
Queremos viver em paz.
Paz na Terra aos homens.
Homens que matam e morrem.
Morrem de dor e de amor.
Amor no rosto das crianças.
Crianças que brincam nas ruas.
Ruas sujas e perigosas.
Perigosas pela violência.
Violência que fere a esperança.
Esperança de estar vivo.
Vivo estou hoje.
Hoje, eu estou feliz.

A nova árvore

Parece que eu estou mudando.
As coisas ao meu redor estão diferentes.
Meus olhos vêem mais do que antes.
O mundo cresceu.
Vejo agora que não estou só.
Na verdade nunca estive.
Sinto-me como se alguém tivesse acendido a luz.
E que tudo está claro.
Quase tudo.
Estou mudando.
Mudando de vida,
Ou mudando a vida,
Ou a vida está me mudando.

Visões

E apesar do escuro,
Continuo fingindo enxergar.
Muitos abriram-me os olhos.
Mas cego sou.
Todos somos.
Só enxergamos o que queremos.
E apesar do escuro,
Continuo fingindo enxergar.

Para a vida

De repente tudo parou.
Eu e o mundo estáticos.
Meus pensamentos moviam-se mais rápido que a luz.
Minha cabeça aquecia meu corpo, que, ainda parado, ignorava as suas ordens.
Voltando à normalidade, eu já não mais era normal.
Nunca fui, nem por mim, nem pelos outros, mas sempre quis, ou não.
Para mim, ainda parado tudo está.
Nada move-se dentro de mim.
E para acabar amanhã,
A vida começa agora.

Sou a pedra do Caminho

Novamente, rodeado pelo nada,
Esperando a vida acontecer,
Me deparo com uma pedra na estrada
E me sento para a pedra conhecer.

Solitária, fria, desamparada,
Esquecida, sem ninguém a perceber.
Pelo vento e pelo sol está marcada.
Suas marcas, não consegue esconder.

Por pneus e sapatos, amassada
E nenhuma alma viva a defender,
Se conforma por ter sido abandonada
E recolhe-se ao seu desprezível ser.

Sou também uma pedra nesta estrada
E como tal também decidi viver.
Mas agora, percebi que este nada
Não é nada ao que devo merecer.

Saquei

Saquei e fui-me ensacando.
Que saco é ficar só.
Foi quase que casei.
Assim que o sol saiu,
Sabiamente sumi.
É isso que me deixa triste.
Quiçá eu ser assim
Como um Czar.
Tomar um Whisky e esquecer
Que o sol sai para eu sair.
Sai que nem sinto mais.
E zac!, reaparece.
Is a key of the world.
Eis aqui o que ele traz.
Voltei, pois agora saquei.
Que sou aquilo que sempre quis
E assim, posso ser feliz.

Pronde achar

Partir? Prá onde?
Não há lugar preu ir.
No mínimo, dar um rolé.
Viajar dentro de mim mesmo.
Não há resolução.
Não há o que resolver.
A vida resolve. E me resolve em mim.
Onde estou? Não sei.
Aonde quero ir? E isso importa?
Quando resolvi me ouvir?
Não há pronde ir!
Prá que ir?
O que eu quero está aqui!
Basta estender o braço.
Só falta achar...
... o que quero, ou ...
... o braço.
Pois as pernas querem ir.
Pronde, não sei!
Nem como.
Nem o que vão fazer.
Quando achar algo, resolvo.
Se, eu quero; ou não!

Porque sou assim

Sou assim.
Este é o meu jeito.
Não vou mudar.
Não por causa disso.
Sou assim.
Não que queira ser,
Mas, porque preciso.
Preciso ser assim.
É isto que me faz viver.
Vivo prá ser assim.

Você em meus Pensamentos

Se tem uma coisa que nunca conseguirás
É ficar longe de mim,
Pois, por mais distante que estejas,
Por mais que quilômetros e quilômetros nos separem,
Basta somente que eu feche os olhos
Para que esteja tão perto quanto eu de mim mesmo,
Pois, quanto fizer isto,
Estarás dentro de mim.

Longa curta despedida

Até logo, não adeus.
Despedindo, vou-me à ida
Dos amigos que são meus
E custando-me a partida.

Já são horas, já é tempo,
Mas demoro-me a partir.
Arrumando um contratempo,
Fico sem mais querer ir.

Olhos d'água, boca pura,
Coração batendo forte.
Doença que não se cura
Que quase me leva à morte.

Os assuntos já me falham
Mas eu os puxo mesmo assim
Minhas pernas se atrapalham
Para não querer o fim.

E sem ter o que falar,
E com as gotas já caindo,
Sou levado a soluçar.
Minha face vai mentindo.

Despedidas, não as quero.
Por que tem que ser assim?
Aproximo-me e espero.
Os olhares vêm em mim.

Eu não posso explicar
O que estou sentindo agora.
É que por deles gostar
Ache que não seja a hora.

É por isso que não parto
Nem os deixo ir também
Pois posso ter um infarto
E partir para o além.

Sou um pouco exagerado
Mas me sinto desse jeito
Como se fosse amarrado
Com uma espada contra o peito.

Resolvi não ir embora
E enfrentar todos perigos
Pois ainda não é hora
De deixar os meus amigos.

Desenigmar

Fica fácil de ver
Quando não tenta,
Sente que já é.
Se não, tenha fé.
Quem que não lamenta
De não, pois, saber?
Primeiro vem entender.
Sugestão? Experimenta.
Vê se dá pé.
Sê como Tomé.
Não deu? Inventa.
Importante é responder.

Lembranças de uma amizade II

Lembro-me muito de ti
Mesmo sem te conhecer
Pois, sem ti, eu aprendi
A querer, poder, viver.

Não encontro-te aqui
Mas quero muito te ver,
Pois, há muito, te perdi
Aqui dentro do meu ser.

Aquilo que não vivi
Valeu para eu saber
Que não posso desistir
Pois viver é aprender.

Desencontros passados

Espero te encontrar
Prá vivermos uma história
E te vejo, ao esperar,
Guardada em minha memória.

Quanto tempo nós passamos
Sem saber o que fazer.
Quando eu tinha muitos planos
E insistia em esconder.

Nada mais me resta agora
Só lembranças do passado
Em que eu perdi a hora
Por não ter te encontrado.

Somente Olhos e Olhares

Somente olhos e olhares;
Nenhuma palavra,
Nem uma fala;
Nenhum movimento,
Nem um gesto;
Corpos estáteis.
Músculos trêmulos.
Taquicardia.
Vontades,
Palpitações,
Esperança,
Medo.
Nenhum movimento.
Nenhuma palavra.
Somente olhos e olhares.

Espelho de Narciso

Ó ser que nas alturas vive
E que beleza tem devido a outro ser,
Tão enchida estás hoje
Que, sem perceber, reparo.
Toca o mar, hoje, meus pés.
Olho do céu,
Que me olha sem me olhar,
Bela fez-se para mim.
Inspirou-me nestes versos.
Devo isto a você
E nós dois, ao outro ser.

O bando das andorinhas (saudades)

Voaram as andorinhas
Para bem longe daqui.
E reinaram os gatos pretos
Que os ratos brancos comiam.

Ficaram saudades minhas.
No tempo, me diverti,
Relembrando meus defeitos
Que as aves assistiam.

Ó bando, tu me tinhas.
Mas com o tempo eu parti,
Defendendo seus direitos
Que antes não existiam.

Mas espero, avezinhas,
Que retornem um dia aqui
Prá mostrar-me seus conceitos
Como um dia já se viam.

Por tão seguro ser

Branco, velho e puro.
Guarda-me em sua frente.
Nunca deixa passar gente.
E faz-me ser seguro.

Duro, belo e forte.
Nos protege aqui dentro.
Com as chaves, abro e entro.
E entrando tenho sorte.

Alto, largo e lindo.
Não sou mais um fácil alvo.
Dentro dele estou salvo.
Prá tranqüilo ir dormindo.

A quem sabe se é noite

De olhos fechados estarei.
E os que me olharem não mais verão.
Estará escuro o dia.
A noite não saberei mais.
Quem souber lembre-se de mim.
Mas não molhe minha cama.
Nem a enfeite.
Pois não a posso enxergar.
Não faça por mim chover.
A chuva, não mais a sinto.
Pois não mais sei se é noite.
E escuro está o dia.

Alguém pensa em mim

Linda és tu que tens a graça de me fazer ter graça.
Intocável és, pois não o fiz.
Quanto tempo meus óculos foram fracos.
E ainda são um pouco.
Mas, revelam-me os meus ouvidos
Que tua voz me faz ver.
Estás longe quando estás mais perto.
E mais perto quando mais longe.
Ouve-me e diz que me ouvindo estás.
Para que possa ouvir falares de mim.
Pois, se antes estivesse, estaria agora.

Poesias minhas

Meu mundo, meu universo,
Onde posso controlar
Imagens que viram verso
E se tornam o meu lar.

Destino já não existe.
Controlo tudo o que quero.
Se alegre ou se triste,
Nas palavras, sou sincero.

Eu as choro e as sinto
E me fazem enxergar
O que não consigo ver.

Por isso que não as minto,
Porque elas são meu par
E com elas vou viver.

Solitária prisão

Sozinho, nada sou.
Vivo querendo ser alguém.
Buscando o que restou
De algo que não vem.

Me consolo, me lamento,
Procurando entender
O porque desse tormento
Que insiste em me prender.

Estou preso nesta cela
E, as chaves, não as tenho.
Mas, querendo fugir dela,
Me esforço, me empenho.

E me canso de tentar.
E espero amanhecer.
E me torno a consolar
Para as forças não perder.

Sei que alguém serei um dia,
Quando puder me soltar,
Me livrar dessa agonia
Que me impede respirar.

O Fotodesperta

O círculo dourado fez-me abrir os olhos.
Seu brilho era tão que minhas vistas ofuscava.
Tudo mais uma vez.
E guiava o tempo; e o tempo o guiava.
E nos guiam, os dois.
Tudo de ti depende.
Sua luz controla tudo o que respira.
Só tenho algum tempo para ver-te novamente.
Corro contra ti, para estar a favor de ti.
Tirou meu sono.
Apaga a luz
Não. Apaga não.
De escuro medo tenho eu.
Que de escuro vive a luz.
Vivo de ti para não a minha apagar.
Estou sem sono.
Bocejo-te, pois, talvez não mais hoje te veja.
E viverei pensando em vê-lo. E em vê-la.
Mas, desperta-me lentamente.
Estou com sono, mas,
Não vou dormir.
Não demora.

Monologando sozinho!

Tive uma conversa comigo
E disse-me coisas que não podia acreditar
Ouvi a verdade, minha, no fundo de mim mesmo
Ao som da noite, chorei.
E minhas lágrimas revelavam meus sentimentos.
O que o mundo nos obriga fazer.
Estou só. Eu e eu. E nós dois temos uma conversa.
E me digo coisas que nem mesmo eu acredito.
E choro, na ponta de um lápis.
Lápis tão pequeno como eu.
Eu e eu e o lápis.
Três. E assim tenho um triálogo.
Chegarei, em breve, a uma conclusão:
Findar esta conversa.

Imagem na Ação

Ao meu redor, ninguém aparece
E surpreende-me com sua companhia.
Lembrou-se de mim.
Sorte tenho eu de ter imaginação.
Nem imagem, nem ação.
Fico eu e ninguém ao meu redor.
Sei que minhas imagens e ações estão.
Não aqui. Nem agora.
Mas, imagino-os onde e quando quiser
E ninguém faz-me poder fazer.
Sem ninguém, nada sou.
Não sou imagem, nem ação.

Pesadelos meus

Vivo vida de medo.
Medo de mim.
Medo de ti.
Medo do que há entre mim e ti.
Entre portas e pílulas meu medo está.
Tenho medo de ter.
Tenho também de não ter.
Sou o medo e o medo me é.
De escuro e de claro,
De sim e de não,
Talvez.
Tenho medo de viver.

Dois metros e meio

A maior distância é a de dois metros e meio.
Já alcancei.
Mas superar é difícil, pois não depende só dos meus pés.
Se dependesse, seriam quatro.
Mas a metade que falta pode não saber que quero superar.
E assim, não me ajuda, por não saber, ou não querer.
Posso estar tão perto, mas, por isso, tão longe.
Se, muitas vezes não enxergamos um centímetro à nossa frente,
Imagine a dois metros e meio, onde cabe o infinito.

O que restou de mim

Resumem-me em nada.
Resumo-me em algo, que não sei o que.
Confundem-me em algo, sabem o que. Eu não.
Confundo-me comigo mesmo e com o vazio que há em mim.
Apesar de ser eu, não sou.
Confundem-me e resumem-me.
Por isso faço de mim o que sou.
Não que façam-me isto.
Mas fazem com que faça.

Olhos d'alma

Quando olhamos, vemos e não vemos.
A parte que enxergamos não é a real.
Parece. Mas não é.
O que é, é aquilo invisível aos nossos olhos.
Tente enxergar o que você não consegue.
Olhe com os verdadeiros.
Os d'alma.
Enxergarás e não acreditarás.
Pare, ou não; e pense, ou não.
Mas veja.
Lembre-se: nem toda visão consegue ser vista!

Pergunta para a resposta

Por que tenho que passar por isso?
Ninguém responde a essa pergunta.
Ou esta foi mal formulada,
Ou aquela é óbvia.
Não tenho mais tempo para pensar na resposta.
Mas insisto, fazendo a mesma pergunta.
Quando isso vai terminar?
Será que é isso mesmo que quero?
Terminar ou não?
Já sei contar.
Não sei para quê, mas já sei.
Voltando, tentando responder, pergunto.
E vão se acumulando mais e mais.
E entupo-me de perguntas e, de respostas,
Nada tenho a dizer.
Só perguntar "por que?".

A marca do gosto

Disse-te adeus.
Um adeus com gosto de até logo.
E fui-me em boa hora
Tão boa que não queria ter ido.
Com meu gosto, despedi-me
E, em ti, ficou minha marca,
Para que pudesse eu fazer parte de ti.
Não quis ir, mas fui.
E hoje espero passar para que,
Ainda com minha marca,
Pudesse ver-te novamente.
Ao brilho da mãe da noite, pacientemente,
Fico acordado, olhando para os meus pensamentos.
Vai chegar amanhã.
E quero que tenha também um gosto de hoje.

Passageiro do destino

Estou no escuro
E uma luz me é acendida
E vejo um muro,
Ao passar numa avenida.

Naquele concreto, vi
Que não era só um muro.
As letras que estavam ali
Revelavam-me o futuro.

Frases juntas e tão belas
Que me davam um conselho:
Eram três as caravelas.
Vi que via um espelho.

Minha imagem se ofuscava
Ao olhar para aquele muro
E, os meus olhos, lavava,
Pois não estava mais no escuro.

Contradizência das palavras

Quer se contradizer?
Diga que não está dizendo nada.
Pense que não está pensando em nada.
Fale que não está falando dada.
Grite que não está gritando nada.
Escreva que não está escrevendo nada.
Mostre que não está mostrando nada.
Leia que não está lendo nada.
Lembre que não esta lembrando de nada.
Quando terminar, verá que,
em nenhum momento, se contradisse.

A imagem no mar

Atravessei uma ponte de sete cores
E fui andando até o mar.
Ali, te vi.
Nas águas, olhava-me, que tão carinhosas eram,
mudar-me levemente de forma.
Muito não rodou o relógio.
Foi primeiro escuro. Hoje é claro.
E parece que sempre foi.
Tão calmo fez virar um navio.
O tesouro que ali estava custava-me caro.
Não sabia que ali estava.
Nem do que era capaz.
Mas sempre existiu naquelas águas.
Mas agora sei que minha é.
Virei ver-me todos os dias, pois,
Claro é o dia.
E as sete cores somem.
E vou. Mas, gosto do mar.
Porém, volto, pois este comigo nasceu.

Uma em todo o jardim

Passava por um jardim, quando, repentinamente,
Vi uma flor que se destacava dentre as outras.
Chamara minha atenção, pois diferente era, e assim, tão bela.
Admirava-a.
Estava ela junto a multidões e multidões de outras flores, mas isolada.
Era especial.
Muitos passavam e a criticava, pois era diferente das outras.
E refletia-me no espelho que encontrara.
Cortei-a na intenção de levá-la comigo.
E segurava-me com teu brilho.
Era tão verdadeira, pois parecia ser.
Era única no mundo, não só naquele, mas em todos os outros.
E chorava ela, pois, não mais estava em seu lugar.
Senti em ter que deixá-la.
E coloquei-a cuidadosamente dentre as feias flores que ali estavam.
E caíram duas pétalas.
E despedi-me, com estas já em meu coração.

É mais que te ver

Te vejo com meus olhos.
Te vejo com os olhos do mundo.
Você não é só linda para mim, mas para o mundo inteiro.
Te vejo mais que o mundo,
pois meu mundo te vê do jeito que quero te ver.
Mas sei que és assim, do jeito que te vejo, pois, para mim,
és linda como o mundo te vê,
e és mais linda do que te vê,
és linda como te vejo,
e és mais linda do que te vejo.

O que passa por nós

Senti algo diferente
Que meus dedos fez pulsar.
Essa coisa passou pela gente.
Não sabíamos o que falar.

Passava rápido, velozmente
Que quase chegou faiscar.
Forte como uma corrente
Que queria energizar.

Veio um medo de repente
Pois não podíamos explicar
Algo tão surpreendente
Que quase me fez chorar.

Fechei os olhos levemente
Para poder apreciar
A energia decorrente
Da minha mão a te tocar.

Até ela estava quente
Que chegara a suar,
Conduzindo livremente
Os impulsos para lá.

Quando o ciclo fechou novamente,
Pude também notar
Que o que ia para frente
Acabava por voltar.

O silêncio em minha mente
Fazia-me parar e pensar
Naquilo que, tão valente,
Por nós, foi se transportar.

Vivendo em três dias

Três dias, eu consigo
Sonhar, viver, amar,
Morrer, matar, chorar,
No ombro de um amigo.

No quarto estarei feliz.
Não achei nenhuma graça.
E a minha vida passa
No colo de uma atriz.

Luz, câmera, ação,
No teatro da minha vida.
Minha história está cumprida.
Agora, libertação.

O fruto do amanhã

Vai chegar o amanhã
E o hoje já se vai,
Como o gosto da maçã
Que da minha boca sai.

E o hoje vai sumindo,
Revelando um outro dia.
O silêncio, vou ouvindo
Em uma sala vazia.

Tão vazia quanto eu
Que espero o amanhã
Do silêncio que morreu
Com o gosto da maçã.

E, do hoje, eu me lembro.
Fecho os olhos para sonhar.
Amanhã será dezembro.
Vou poder realizar...

Se demora não me irrito.
Sei que o sol já vai nascer.
Arrotando, dou um grito,
Prá dizer: Eu vou vencer!

Doeste pro leste e vou

Vem de leste proeste.
Não!
Vou doeste pro leste.
E assim, começa.
Ciclos e mais ciclos e...
Começo eu.
Vejo que respiro.
Movo-me.
Do que preciso a máquina, encho-me.
Vôo pro céu.
Rodo e roda!
E paro.
E não pára.
E move-se.
E não move-se.
E movo-me.
Parado.
Chego. Entro.
E vejo! Continua!
E de que preciso o sistema, encho-me.
E encho-me.
E encho-me.
Rápido!
Volto a perceber.
Tenho de ser rápido.
Lentamente, vôo.
É a segunda, agora.
Muito boa, por sinal.
Entro, espero.
Vou percebendo.
Já tonto.
Isso é bom.
Obrigado, Tô Indo Agora!
Sai de mim. Não é bom.
Mas isso é bom.
Volto. Tonto.
CÉU.
Tô cheio: - Aaah.
Fui também eu.
E a brisa bate no mar.
E espero. Nada.
Todos eu.
Aí é que roda, e, não vejo.
Mais e mais, de novo, encho-me e todos também.
Mais os que eu mesmo.
Mas parece que sim de mim.
Iih!!! Rodou e rodou e não vi.
Agora queu tô vendo.
Choro. Vôo.
Caí.
E a terceira. A quarta.
Vem de leste... Não!
Vou doeste pro leste!

Ao mar da minha vida

O mar vem com suas ondas, lembrando-me de ti.
Faz-me querer navegar por lugares desconhecidos.
Abaixo desse mar vejo teus olhos. Olhos da cor do fundo do mar.
Sinto-me na praia, com a brisa tocando o meu rosto, suave como tua pele.
Mar. Mulher.
Não sei nadar. Tenho medo de me afogar.
Se fosse para que eu pudesse ficar contigo pelo resto da vida, afogar-me-ia.
E, no fundo dos teus olhos, nas ondas do teu mar, com a brisa suave de tua pele, estaria feliz.

O saber de saber se sabemos

Como podemos dizer quem somos
se nós mesmos sabemos que não sabemos quem sabe quem somos? Saiba que não sabemos se sabemos tudo aquilo que deveríamos saber.
Quando soubermos que sabemos tudo o que se sabe que se tem para saber, mesmo assim, não saberemos se temos o saber de tudo o que se deve saber, pois não saberemos dizer quem somos e continuaremos sabendo que não sabemos quem sabe quem somos.

Tu, a rosa, e eu

Brilhou, hoje, o sol.
E seus raios penetraram numa rosa que se abria para abraçá-lo.
Chorei.
E chovi-la, tentando perdurar tal formosura, que fazia seus braços abrirem demasiadamente,
que suas pétalas afastavam-se na intenção de agarrá-lo.
Entristeci.
Estava eu, ali, admirando-a, e sua beleza não era para mim, pois não me buscava.
Senti seu cheiro.
E o perfume que dela saía chegava-me de uma forma suave.
E queria estar perto dela para que me notasse.
Se ali estivesse, notar-me-ia.
Você veio a mim de tal forma que seu perfume se embaraçava às minhas lembranças.
Seu sorriso me abraçava, mas não a mim.
Chorei.
Já havia passado por isso.
Quanto mais lágrimas caíam-me dos olhos, mais linda te via.
Lembrei-me
Que já tinha visto tal cena, pois parecias uma rosa.
Seus lábios encantavam-me como as pétalas a se abrirem para agarrar o sol.
E só assim, com tal comparação, no fundo do meu pensamento, pude perceber
Que eras tu a rosa.

A solidão em uma canção

Muitas pessoas em minha volta.
Mas nenhuma à minha volta.
Estou sozinho no meio da multidão.

Estou preso e ninguém me solta.
Estou livre, pois tudo me solta.
Sozinhos, eu e meu coração.

A solidão me revolta.
Fico sem ação.

O coração me transporta
E canto esta canção.

Lembranças de uma amizade

Amigo,
Onde estás que não responde?
Por que foste para longe
E não ficaste comigo?

Amigo,
Te procuro bem distante.
Bem além do horizonte.
Quase perto do infinito.

Viajo nos meus pensamentos
À procura de momentos
Em que estive em perigo

E, ouvindo meus lamentos,
Afastou-me dos tormentos
Como um verdadeiro amigo.