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Calados para sempre

Mais um dia,
Vivendo na hipocrisia,
Fazendo o que não podia,
Só prá ter mais alegria.

Num mundo de fantasia,
A vida se iludia,
Pois tudo o que fazia
A deixava mais vazia.

E os jornais que sempre lia
Contavam o que não se via,
Criando uma moradia
Do jeito que se queria.

Agindo como uma vadia
Que aos poucos se vendia
E bem menos recebia
Pela vida que vivia.

Fazendo o que se pedia,
Os culpados, assistia.
Mesmo estando com azia,
Calado permanecia.

E em toda essa agonia,
Interesses defendia,
Pois gostava da poesia
Do que se oferecia

Várias coisas que sabia,
Enganava, escondia,
Com um pouco de magia,
Criava uma utopia.

E vivendo em covardia
Não falava, não agia.
A vontade me batia
E mesmo assim não conseguia.

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