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Longa curta despedida

Até logo, não adeus.
Despedindo, vou-me à ida
Dos amigos que são meus
E custando-me a partida.

Já são horas, já é tempo,
Mas demoro-me a partir.
Arrumando um contratempo,
Fico sem mais querer ir.

Olhos d'água, boca pura,
Coração batendo forte.
Doença que não se cura
Que quase me leva à morte.

Os assuntos já me falham
Mas eu os puxo mesmo assim
Minhas pernas se atrapalham
Para não querer o fim.

E sem ter o que falar,
E com as gotas já caindo,
Sou levado a soluçar.
Minha face vai mentindo.

Despedidas, não as quero.
Por que tem que ser assim?
Aproximo-me e espero.
Os olhares vêm em mim.

Eu não posso explicar
O que estou sentindo agora.
É que por deles gostar
Ache que não seja a hora.

É por isso que não parto
Nem os deixo ir também
Pois posso ter um infarto
E partir para o além.

Sou um pouco exagerado
Mas me sinto desse jeito
Como se fosse amarrado
Com uma espada contra o peito.

Resolvi não ir embora
E enfrentar todos perigos
Pois ainda não é hora
De deixar os meus amigos.

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