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O tempo e o escritor

O tempo passou
E o escritor não escreveu
Sobre o tempo que passou
E ninguém mais percebeu
Que o tempo havia passado
Pois não estava registrado
E o escritor não escreveu.

O escritor passou
A não mais se importar
Com o tempo passado
E viveu seu presente
Passo a passo, somente
Porque este aprendeu
A não mais se importar.

Mas o tempo passou
Com um outro presente
Cada passo passado
Retornou em sua mente
E o escritor escreveu
E a todos, surpreendeu
Com um outro presente.

Escreveu rapidamente
Obrigado pelo tempo
Tentando recuperar
O tempo passado perdido
Foi assim que perceberam
E todos agradeceram:
Obrigado pelo tempo.
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Preso em teu olhar

Um olhar não se repete
Mesmo que este demore
Eles nunca são iguais
Nunca são do mesmo jeito

Guardo a saudade no peito
De um olhar que não vem mais
Essa dor faz que eu implore
A lembranças me remete

Teu olhar, em mim, compete
Faz com que eu te namore
E com desejos demais
Meu destino, já aceito

Dou-te todo meu respeito
E com ele, tu te vais
E apesar que em mim more
Meu olhar não mais reflete

A Lágrima

Se olhares bem no fundo dos meus olhos,
Poderás ver meu espelho, minha lágrima.
Que flutua na solidão do meu ser
Desejosa por molhar tua boca lágrima.

Solitária, ela espera muito tempo
Uma hora, duas, dez... quiçá lágrima.
Porém vale esperar para te ver.
Só de olhar dentro de ti, meu olho lágrima.

Não te posso enxergar tão bem assim.
Mas também não é tão mal. É meio lágrima.
Já passaste. Foi tão rápido. Nem te vi.
Lá se foi mais uma vez. Digo: Que lágrima!

Lágrimas de desejo

No meu rosto escorre
Uma gota de desejo
Por querer tanto teu beijo
E não poder te provar

O teu gosto dorme
No fundo do meu bocejo
Cada vez que aqui te vejo
E fico a te admirar

O meu pulso corre
Como raios num lampejo
Demonstrando meu fraquejo
Por teu belo provocar

O meu tempo morre
E deságuo em teu cortejo
Mesmo em lágrimas, velejo
Re-sonhando te encontrar

E Daí?

Mas eu sou teu irmão!
E Daí?
Onde estava então que não te vi?
Segurei tua mão. Te segui até aqui.

Mas se for só impressão?
E Daí?
Eu não quero dizer não para o que senti!
Se isto tudo é ilusão, deixe-me iludir!

Não consigo explicação!
E Daí?
Te sentir o coração me faz sorrir!
Em meio a essa escuridão, és meu luzir!

É verdade! Tens razão!
E Daí?
Esta é nossa opção. Traçaremos o que há por vir!
Temos nossa solução. Vamos já nos divertir!

Doce colibri

Aqui estou
Atrás do horizonte
Além deste monte
Bem longe de ti

Só me restou
Saudades aos monte
Expressas na fronte
Desde que parti

Agora, sou
Metade restante
Mas não o bastante
Para resistir

Aonde vou
Sou pássaro errante
Sem ti, sem volante
Me perco aqui

Espero o vôo
Aqui, neste instante
Que ele me levante
Pra eu te seguir

Vento chegou
Vou por esta ponte
Beber da tua fonte,
Doce colibri