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Cama vazia

É muito estranho Todo este espaço Mas sem teu abraço Não vejo tamanho Capaz de ninar. Pouco que ganho Não sei o que faço Pois neste pedaço Falta-me o assanho Para me deleitar. Então me acanho Longe do teu baço Desfaço o meu laço Solto meu rebanho Quero acordar.

Justamente

Justa mente! Não, mente! Justa não mente! Justamente! Por isso é justa a mente! Como? Não mentir ajusta a mente? Isto! A justiça ajusta a mente! E não é justo então quem mente? Justamente! Oras, mente! Se decida! Ou a "justamente" ou não mente!

Hein?

Duvido Que me tires do ouvido Que te percas do sonido Que freqüente sou pulsar Rugido Do teu mundo tão sumido Que pra longe foi movido Pra poder comigo estar Sofrido Faço-te em meu gemido Em meu alto som, perdido À tua mente penetrar Ferido Eu te deixo, bem devido Escutando, meu zunido Pois não sabes moderar

Doce colibri

Aqui estou Atrás do horizonte Além deste monte Bem longe de ti Só me restou Saudades aos monte Expressas na fronte Desde que parti Agora, sou Metade restante Mas não o bastante Para resistir Aonde vou Sou pássaro errante Sem ti, sem volante Me perco aqui Espero o vôo Aqui, neste instante Que ele me levante Pra eu te seguir Vento chegou Vou por esta ponte Beber da tua fonte, Doce colibri

Na ponta da língua

Teu sabor me lambe a alma. Teu desejo me aquece. Tua pele me acalma. Teu carinho me enlouquece. Tuas curvas, saliente, Faz-me ser assim maior. Te conheço em minha mente. O teu ser, já sei de cor. Te descubro pelo aroma Que nenhum outro parece. Eu já falo teu idioma E minha língua já conheces. Tua pele, degustante, Te debuto em nosso baile. Em leitura abundante Como o toque do teu braille. Doravante, não te largo, Minha rosa, minha flor. Te estudo. Eu te argo. Te decoro, meu amor.

Desposar-te

Meu amor, meu encanto. Te amo de um jeito que não achava que pudesse amar alguém. Te amo muito. Te amo tanto. Te amo em dez elevado a cem. Eu te preciso. Eu te desejo. Já não consigo viver sem você Já não consigo estar sem teus beijos Já não consigo ficar sem te ter Nunca te esqueças da minha paixão É teu meu amor o quanto quiser Quero tua vida. Quero tua mão. Quero que tu sejas a minha mulher.

Eu sem ti

Não me adiantaria o ar Sem poder te respirar Nem da água para beber Pois tenho sede é de você Para que então o olhar Se não iria te enxergar? E os meus inúteis braços Não teriam teus abraços De que a boca serviria Se ela não te beijaria? E para que um coração Se, para ti, é a pulsação? Sem você, oh minha amada Eu não quero ter mais nada Para que ter tudo isto Se, sem ti, eu não existo?

Pedido pedido

Ontem, eu te conheci E me casei com você Mas, só hoje, percebi Que sem ti não sei viver É tão forte esta paixão Que no peito, me esquenta Já te dei meu coração E contigo, ele aumenta Minha esposa, meu amor, Quero tanto o teu carinho Já não sinto mais a dor De, sem ti, estar sozinho No relógio, sinto a espera Para poder contigo estar O coração já desespera Com o tempo a demorar Você é meu complemento A tampinha que preciso Quero-te a todo momento Ó razão do meu sorriso Tanto tempo já passou Mas agora já te avisto A corrida começou Tudo parece previsto Minha vida é mais bonita Tudo parece mais belo Nossa história estava escrita Em um mundo paralelo Fico assim, admirado Tudo agora faz sentido Estou tão apaixonado Que atrasei o meu pedido Vou entrar nesta corrida Não posso mais esperar Eu te quero em minha vida Você quer me namorar?

Tiquetáques

Tempo, algo complicado De, ao certo, se contar Pois, com você ao meu lado, Fica difícil lembrar Do nosso tempo passado Como demorara a passar De como hoje ele passa apressado Que chega até a nos enganar Igual a um relógio quebrado Que teima em não trabalhar Empaca e fica parado Na espera de se consertar Me perco, no tempo, calado Com meus tiquetáques a pensar Há muito, sou teu namorado Por muito, ainda vou te amar

Esculpida

Em tuas curvas, eu fraquejo Em tua carne, lanço beijo Alucinando-me, num lampejo Alimentando o meu desejo Perto de ti, não tenho medo Não tenho máscara e nem segredo Só tua pele é o meu enredo Como criança com seu brinquedo Por ti passeio com meu amor E pressiono-te com meu calor As mãos modelam com tal furor Da tua argila, sou escultor